Crónica

2022: o ano do metaverso (mas não como você está pensando)

Crónica semanal, todos os sábados, às 12h.

Marcus Mendes
1 de Jan de 2022
3 minutos de leitura

De todas as previsões que eu poderia fazer para o ano de 2022, vou começar o texto com a mais óbvia: em 2022, escutaremos muito (muito, muito, muito) a respeito do metaverso.

Assim como muitos entusiastas da tecnologia, eu tenho acompanhado as notícias sobre o mercado de realidade aumentada, realidade virtual, realidade mista e virtualidade aumentada (conheciam essa?) com um… ceticismo saudável. Eu quero que a tecnologia evolua, é claro, mas não costumo acreditar que ela evoluirá na velocidade com a qual as grandes empresas nos prometem que isso acontecerá.

Toma como exemplo tudo o que o Facebook (sim, agora eles se chamam Meta, mas sou teimoso e continuarei chamando de Facebook) anunciou no seu tão falado evento do final de outubro. De pequenas salas virtuais para um divertido jogo de cartas com os amigos até a renderização completa e hiper-realista de um corpo humano em realidade virtual, incluindo as suas micro-expressões, o Facebook demonstrou que está completamente comprometido com um mundo em que, no futuro, o distanciamento social – ainda que virtual – seja algo do passado.

É claro que a própria empresa admitiu que não tem ideia de quanto tempo levará até atingir as suas metas mais ambiciosas, já que ela própria ainda não é capaz de prover a tecnologia necessária para isso. Mas o primeiro passo para resolver um problema é admití-lo, certo?

Pois bem. E para 2022? Para 2022, infelizmente, a minha previsão vem acompanhada de uma má noticia: eu prevejo que todo esse mercado evoluirá… muito pouco. Mas não será por falta de ouvirmos falar nele. E por mais que eu tenha um famoso nojo do Facebook, devo admitir que é invejável a forma como eles conseguiram emplacar o termo “metaverso” no léxico popular dos entusiastas de tecnologia, apesar de absolutamente nada de prático que o Facebook tenha exibido na demonstração do tal metaverso tenha sido novo. Quando o CEO da Niantic diz que eles já oferecem experiências no metaverso há anos com o Pokémon Go, é verdade. Quando o CEO da Microsoft diz que eles já oferecem experiências no metaverso há anos com o Minecraft, também é verdade. Mas o maior trunfo do Facebook aqui foi apropriar-se de um termo que soa tecnológico e avançado, e se traduz em tudo o que a concorrência já vinha a fazer há tempos. Com isso, o jogo virou, e parece que empresas como a Niantic e a Microsoft agora estão correndo atrás do Facebook, a gritar “eu também!” quando falam sobre o tal metaverso.

Quem me conhece fora do mundo da tecnologia, sabe que trabalho no mercado publicitário. Por isso, se há uma coisa que estou acostumadíssimo a ver, é empresas a tentar aproveitar-se de algo famoso no momento para se beneficiar desta fama quase como um efeito colateral.

E é por isso que eu vejo como inevitável que praticamente todas as empresas de tecnologia anunciem, ao longo do ano que vem, iniciativas imersivas. Muitas delas, inclusive, utilizarão o termo metaverso, apesar de não terem nada a ver com o Facebook (e o Facebook, por enquanto, terá que aceitar isso já que está envolvido em centenas de processos pelo uso não-autorizado dos nomes Meta e Metaverse de outras empresas que nunca tiveram nada a ver com Zuck, mas viram o seu nome ser basicamente roubado da noite para o dia).

No meio de tudo isto, eu sinceramente espero que alguém, em algum lugar, em meio a todo o hype criado em torno das tecnologias imersivas, apresente algo de realmente inovador neste mercado. Mas se a história da tecnologia nos ensinou alguma coisa nos últimos anos, é que primeiro todas as empresas dirão ter algo a oferecer neste mercado, e somente mais para frente algumas delas de facto cumprirão esta promessa.

Já sobre o Facebook, eu realmente espero que eles invistam tudo o que eles podem nessa iniciativa do metaverso. Dinheiro, tempo, funcionários, advogados, pesquisa & desenvolvimento, enfim tudo. Porque quanto mais recursos o Facebook resolver alocar para isso daqui em diante, quanto mais ele se distrair com o mercado que ele quer muito que o mundo acredite que ele inaugurou, mais rápida será a sua queda no mundo das redes sociais. Talvez aí sim o metaverso traga o seu primeiro resultado inédito.

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