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Impermeável vs Resistente à Água: quais as diferenças?

Impermeável (waterproof) e resistente à água (water-resistant): dois termos muito utilizados na indústria, mas quais as diferenças entre eles? Vem descobrir!

João Valente
25 de Fev de 2021
4 minutos de leitura

Índice

É cada vez mais comum, podemos até dizer que banal, ver estas duas terminologias várias vezes confundidas quando falamos sobre a resistência à água dos smartphones.

Os termos impermeável (waterproof) e resistente à água (water-resistant) são muito utilizados no marketing de smartphones e acabam muitas vezes por ser confundidos e levar utilizadores ao engano. Mas o que quer efetivamente dizer ser waterproof ou water-resdistant? Quais as diferenças entre as duas designações e qual se aplica ao meu dispositivo?

Impermeável vs. Resistente à água

A diferença entre ser impermeável ou resistente à água é bastante simples e os dois termos podem ser definidos como:

  • Impermeável significa que não há forma de a água entrar no dispositivo;
  • Resistente à água significa que existe algum nível de proteção contra a água, no entanto, não impede que esta entre em certas circunstâncias.

Assim, nenhum smartphone é completamente impermeável, pois mesmo podendo imerger o dispositivo debaixo de água, em certas condições o mesmo não resistirá e a água irá acabar por entrar.

Certificação IP

A certificação IP (Ingress Protection Rating) é utilizada em diversos ramos da industria e serve para classificar o tipo de resistência a líquidos e poeiras de um determinado dispositivo ou produto.

Para garantir um certificado IP é necessário que o produto seja submetido a diversos testes regulados pela IEC (Comissão Eletrtécnica Internacional), que dará depois a sua classificação.

A certificação apresenta a seguinte nomenclatura: IP XY, onde o X representa o nível de resistência a poeiras e o Y representa o nível de resistência a líquidos. Hoje focamo-nos apenas no segundo dígito que se refere a líquidos, no entanto, é importante referir que, na escala de resistência a poeiras, a grande maioria dos smartphones hoje em dia no mercado já é dotado da maior classificação possível.

Já no que toca à resistência a líquidos, a conversa não é bem a mesma. Neste campo, a escala varia de X a 9 e cada classificação tem o seu próprio significado. Eis o que cada número simboliza:

  • X: a resistência à água do dispositivo não foi testada;
  • 0: sem proteção contra água;
  • 1: gotas de água não fazem qualquer efeito;
  • 2: gotas de água não têm efeito mesmo ao cair na vertical quando o dispositivo está num ângulo de 15º;
  • 3: pulverizar água não tem efeito, mesmo quando vem de um ângulo de 60 graus da vertical;
  • 4: salpicos de água de qualquer direção não têm efeito;
  • 5: jatos de água de um bico de 0.25 polegadas não têm efeito;
  • 6: jatos de água mais poderosos de um bico de 0,5 polegadas não têm efeito;
  • 7: submergir até um métro de água por 30 minutos não tem efeito;
  • 8: submergir a mais de um metro de água por mais de 30 minutos não tem efeito;
  • 9: spays de água de alta temperatura e alta pressão não têm efeito.

Nos vários smartphones disponíveis no mercado atualmente as classificações são, normalmente, de 7 ou 8, apesar de também se encontrarem alguns com classificações inferiores. O que ainda não se viu até agora no mercado, e que dificilmente se irá ver, é o nível 9. Isto porque este nível requer utilização de alta temperatura, que danifica os componentes internos dos smartphones.

Um ponto importante a notar é que algumas classificações, como o IPx8, pode significar diferentes coisas. Por exemplo, ambos o iPhone 11 e iPhone 12 da Apple são marcados com IP68, no entanto, o iPhone 12 tem proteção até 6 metros de profundidade até 30 minutos enquanto que o iPhone 11 aguenta apenas 2 metros por 30 minutos.

Algo que é essencial não esquecer quando submergimos o nosso smartphone debaixo de água é o facto de os mesmos serem testados com água em perfeitas condições o que significa que, diferentes águas – por exemplo, a água da piscina ou do mar – vão ter impacto diferente no smartphone e pode causar danos sem ultrapassar as condições definidar pela fabricante. Ainda assim, há fabricantes, como é o caso da Apple, que garantem que a resistência também é contra certos líquidos como o café ou sumo, pelo que, recomendo que verifiques sempre com o fabricante do produto em causa.

Resistência ATM

Enquanto que os códigos IP são mais utilizados em smartphones, a resistência ATM é mais aplicada a acessórios vestíveis (wearables).

ATM significa atmosfera e, nesse sentido, uma atmosfera equivale à pressão exercida num objecto quando está à superfície da água ao nível do mar. A cada 10 metros de profundidade, a pressão aumenta 1 ATM.

Assim, a resistência à água nos smartwatches é regularmente marcada em ATM. Contudo, não existe nenhum teste standard para determinar o ATM de qualquer acessório vestível. Apesar de tudo, alguns smartwatches adpotaram o ISO:22810, que é um standard utilizado por fabricantes de relógios de pulso tradicionais.

No que aos testes diz respeito, a maioria são feios em condições estáticas de pressão, o que significa que não simulam corretamente situações reais do dia a dia. Assim, algumas situações podem exercer mais pressão sobre o smartwatch do que aquela que o mesmo consegue aguentar.

As limitações da resistência à água

Como vimos, os smartphones que são publicitados como "waterproof" (impermeáveis), de facto, não o são, sendo apenas "resistentes à água".

Para além disso, problemas que resultem da entrada de água no dispositivo não são, por norma, cobertos pela garantia do fabricante. Por isso, recorda-te que a resistência à água é para proteger o teu smartphone, não para brincares com ele.

É também preciso ter cuidado extra quando o smartphone começar a ficar com alguma idade avançada, uma vez que, com o tempo, a resistência à água tende a diminuir ou até a desaparecer, devido à degradação natural nos selantes do dispositivo. Neste campo posso falar por experiência própria: até ao lançamento do iPhone 12, tinha um iPhone 8 Plus (com quase 3 anos de uso) e, nos últimos meses antes de trocar, decidi tirar uma fotografia debaixo de água. O resultado desiludiu, não em relação às fotografias porque essas ficaram ótimas, mas o meu botão Home deixou de funcionar!

Portanto, convém teres sempre em mente que colocar o smartphone debaixo de água é sempre um risco que corres, e tens de saber quais as consequências e que, acima de tudo, a resistência à água não é perfeita e pode falhar. No caso de acontecer, poucas ou nenhumas são as garantias que te vão salvar.

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