Ciência

Níveis de CO2 na atmosfera continuam a subir em 2021

A pandemia da COVID-19 não foi suficiente para reduzir a concentração de CO2 na atmosfera.

Patrícia Neves
19 de Ago de 2021
3 minutos de leitura
Photo by Thomas Millot / Unsplash

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Os confinamentos obrigatórios trazidos pela pandemia do coronavírus fizeram o mundo parar. Na altura, acreditava-se que apesar dos malefícios para a economia, esta fase seria benéfica para o ambiente. No entanto, se por um lado houve realmente diminuição das emissões de gases de efeito de estufa, por outro, a quantidade de CO2, ou dióxido de carbono na atmosfera, continuou a subir, atingindo em maio de 2021 o nível mais alto alguma vez registado.

As conclusões são da agência norte-americana para a Atmosfera e o Oceano (NOAA, na sigla em inglês) e mostram que a concentração de CO2 na atmosfera já excede em 50% os níveis pré-industriais. Em maio deste ano, os valores calculados foram de 419,13 partes por milhão (ppm), enquanto que no período homólogo eram de 1,82 ppm O que significa isto? Vamos voltar um bocadinho atrás no tempo.

Os níveis de C02 na atmosfera ao longo da história

Antes da revolução industrial, da utilização massiva de combustíveis fósseis e do desmantelamento de florestas em larga escala, a concentração de CO2 na atmosfera situava-se abaixo de 280 partes por milhão (ppm). As atividades económicas levaram a que estes valores subissem para os 300 em 1920, 317 em 1960 e escalassem até aos 417 ppm em maio de 2020, conforme mostra a curva de Keeling deste gráfico.

Fonte: EcoDebate

O que tem acontecido é um aumento no ritmo de crescimento. Se na década de 1960 verificávamos um aumento de 1 ppm ao ano, no início do século XXI, saltámos para 2 ppm ao ano e entre 2010 e 2019 o aumento foi de 2,5 ppm ao ano.

Porque os valores não desceram com a pandemia?

É um facto de que as emissões reduziram um pouco por todo o mundo durante os meses de confinamento. Mas, na atmosfera, o impacto não foi significativo, havendo até mesmo um aumento considerando as flutuações normais ao longo do ano. Ou seja, geralmente existe um aumento da concentração de CO2 de setembro a maio e uma quebra entre maio e setembro. Tem a ver com as férias e com os meses de redução de atividade económica. Ainda assim, entre outubro de 2019 e outubro de 2020 houve um aumento de 2,76 ppm, mesmo com confinamentos um pouco por todo o mundo.

Fonte: EcoDebate

É preciso fazer mais

A preocupação com o ambiente tem vindo a ganhar força, muito devido às gerações mais jovens e à pressão exercida por ativistas como a Greta Thunberg. Em 2015 foi assinado o Acordo de Paris, precisamente com o objetivo de manter o aquecimento global controlado, abaixo de valores considerados perigosos. Mas os últimos dados mostram que é preciso fazer mais.

Os cientistas concordam que será necessária uma ação ainda mais drástica para reverter esta situação. De acordo com Michael Oppenheimer, climatólogo na Universidade de Princeton, "o mundo está a aproximar-se do ponto onde a ultrapassagem dos objetivos de Paris e a entrada numa zona climática perigosa se tornam inevitáveis".

O aquecimento global não se trata apenas do aumento da temperatura. O aquecimento global traz eventos climáticos extremos, como os que temos visto: tempestades, inundações, secas e incêndios. A "desregulação" do ambiente causa mais alergias, mais mortes por calor, por frio e muitos outros problemas de saúde.

O relatório divulgado agora pela NOAA mostram que a prioridade deve ser reduzir os combustíveis fósseis e desmantelar as emissões de carbono, a fim de evitar uma catástrofe ambiental. Pieter Tans, investigador no Laboratório de Monitorização Global da NOAA, escreveu no relatório que “se quisermos evitar alterações climáticas catastróficas, a maior prioridade deve ser reduzir a poluição de CO2 a zero o mais cedo possível".

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