Crónica

O curioso caso do acessório indispensável

Crónica semanal, todos os sábados, às 12h.

Marcus Mendes
15 de Jan de 2022
2 minutos de leitura

Esta semana, a Uber anunciou a decisão imediata de descontinuar a aplicação dela para o Apple Watch. E apesar desta ser uma decisão que, convenhamos, irá afetar uma quantidade minúscula de utilizadores que de facto utilizavam a app para pedir transporte, o significado dela é gigantesco.

Digo isto porque a app foi uma das primeiras a serem lançadas para o relógio. Mais do que isso, a app da Uber fez parte do pacote de apps que foram demonstradas ao vivo no evento de março de 2015, junto do Instagram, WeChat, e algumas outras apps estrategicamente importantes para a empresa da maçã.

Mas, de 2015 para cá muita coisa mudou. Para começar, o Instagram também não disponibiliza mais uma app de Apple Wach (e mesmo que ainda disponibilizasse, a Apple dificilmente voltará a mencionar alguma propriedade do Facebook em qualquer evento, outro sinal dos tempos). Apps de outras empresas, como o Twitter, também deixaram de existir para o relógio. E o próprio relógio mudou. Reassistindo ao evento de anúncio dele, em 2014, é inegável que nem a própria Apple sabia exatamente qual seria o verdadeiro propósito do dispositivo.

Não que isso seja uma grande surpresa ou um ponto negativo. É normal que um produto (especialmente um produto digital) sofra adaptações estratégias ao longo da sua vida. Toma o mercado de smartphones como exemplo. Quando eles surgiram, dificilmente imaginaríamos que algumas décadas depois o que menos faríamos com eles seriam justamente ligações telefónicas. Mas cá estamos. Portanto, é normal que o Apple Watch tenha mudado o seu apelo. A meu ver, enquanto na sua concepção, ele seria um método alternativo de gerar conteúdos (tipo postar um tweet), consumir conteúdos (tipo ver a timeline do Instagram) ou consultar conteúdos (tipo ver a previsão do tempo), hoje em dia apenas esta terceira opção se prova realmente útil no relógio frente às outras duas.

O que me traz ao ponto principal deste texto. Ao buscar uma nova fonte perene de faturamento associada ao iPhone, a Apple viu no Apple Watch a esperança de um produto cujo propósito até parecia estar correto, mas cujo formato estava errado. Pensando nos rumores que vemos diariamente sobre as coisas da empresa, parece-me que o mítico headset imersivo estará muito mais voltado para os outros dois pilares que citei para o relógio (geração e consumo de conteúdos), permitindo que o relógio siga o seu processo de maturação com foco neste terceiro pilar. Mais do que isso, quando associado à IMENSA oportunidade que ainda lhe resta para o mercado de acompanhamento de saúde, o relógio se tornará um curioso exemplo de um mero acessório que, ironicamente, se prova cada vez mais indispensável. Ainda que seja para ser utilizado por curtos períodos de tempo, algumas vezes por dia.

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