Crónica

Profissão: Banido

Crónica semanal, todos os sábados, às 12h.

Marcus Mendes
8 de Jan de 2022
2 minutos de leitura

O ano já começou quente no mundo das redes sociais, com a decisão do Twitter de banir a política americana Marjorie Taylor Greene depois dela ter partilhado (mais uma vez) informações falsas sobre a vacina contra a Covid-19.

Não foi por falta de aviso, é claro. O banimento veio como consequência da quinta vez em que ela quebrou as regras do site, mas é claro que ele não veio desacompanhado da cansada acusação de que o Twitter (e o Facebook, e a Amazon, e a Apple, e o Google, e praticamente qualquer outra empresa, site ou plataforma que tenha e faça cumprir os seus termos de uso) persegue e censura vozes conservadoras.

Eu não sou conservador, mas ainda assim me entristece ver como em todos esses casos o conservadorismo esteja sendo empregado como um sinónimo de negacionismo, ignorância, preconceito. Quando Trump foi banido do Twitter e do Facebook por ter incitado o ataque ao capitólio, o banimento foi retratado por ele como um exemplo de perseguição ao conservadorismo. Quando alguém espalha uma informação errada sobre a vacina da Covid-19 e sofre as consequências, como foi o caso de Marjorie Taylor Greene, novamente, o argumento foi de que “estou sendo silenciada por ser conservadora”.

Aliás, é curioso ver como esse pessoal que reclama de perseguição geralmente é de quem todos nós mais costumemos ouvir coisas, não? Se o objetivo das redes sociais é silenciá-los… olha… estão fazendo um péssimo trabalho.

O banimento e a polémica desta última semana ajudaram a consolidar uma ideia que já me vinha a ocorrer faz tempo: enquanto nós que gostamos de tecnologia passamos horas, dias, meses e anos a explorar hipóteses de como as plataformas sociais poderiam ajustar os seus termos de uso para prevenir injustiças, há pessoas como Marjorie Taylor Greene que agem de forma maliciosa, e que inclusive contam com as consequências para poder acusar as redes sociais de malícia.

É como o caso da Epic Games contra a Apple. O processo entre as duas empresas mostrou que a Epic sabia que seria expulsa da App Store caso o Fortnite adotasse um sistema próprio de pagamentos, e por isso ela preparou o processo antes mesmo da liberação do update que provocou o banimento e, por consequência, o processo.

Enquanto as redes sociais seguem a bater a cabeça e a gastar tempo e dinheiro com a reavaliação constante dos seus termos de uso, cedendo às pressões do público que se identifica como conservador e que acredita na narrativa de que estão a ser perseguidos, isso tudo é fruto de uma ação maliciosa e muito bem-calculada de quem já tem ensaiado de antemão o discurso de surpresa pelo banimento antes mesmo de cometer o tweet que trará justamente essa consequência. E essa é uma guerra que nem o Twitter, e nem ninguém tem como vencer.

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