Tecnologia

Tesla Bot: um futuro próximo ou uma falsa esperança?

O Tesla Bot é o novo projeto da Tesla e de Elon Musk e poderá ter um protótipo já em 2022.

Eduardo Silva
24 de Ago de 2021
5 minutos de leitura
Opinião

A automação é uma das áreas onde o ser humano continua a investir exponencialmente, num processo que acelera cada vez mais e é fomentado pelo trabalho com a inteligência artificial.

A Tesla é uma das principais empresas a trabalhar com AI, com especial foco na condução autónoma dos seus carros elétricos, graças a um sistema Autopilot que se revela cada vez mais eficaz e seguro.

Apesar dos grandes avanços que se verificam em 2021 nesta área, é ainda difícil imaginar um mundo onde o ser humano pode ser assistido ou até substituído nas suas tarefas diárias por robôs inteligentes e obedientes, capazes de tornar essas mesmas tarefas obsoletas para o Homem.

Nesse sentido, o Tesla Bot pode ser um verdadeiro trailer para o futuro. Mas terá realmente este projeto pernas para andar?

Tesla Bot: veremos um robô Tesla funcional em 2022?

Antes de percebermos se estamos prontos para desenvolver e tirar partido da tecnologia com que os filmes sci-fi nos têm feito sonhar nas últimas décadas, cabe tentar entender um pouco sobre o que será o Tesla Bot.

Na introdução ao robô, a sua descrição foi relativamente simples: o Tesla Bot terá forma de humanoid, com 1 metro e 70 centímetros de altura, 56 quilos de peso, mãos com dedos funcionais e é pensado para executar tarefas "perigosas, repetitivas e aborrecidas".

Para Elon Musk, desenvolver um robô que execute este tipo de funções e com a sua forma é um passo natural para a Tesla, já que os seus carros elétricos são, na verdade, "robôs semi-sencientes com rodas".

O CEO foi mais longe ao afirmar que "faz sentido colocar isso (tecnologia dos automóveis Tesla) numa forma humanoid. Também somos muito bons com sensores, baterias e atuadores, por isso acreditamos que teremos um protótipo por esta altura no próximo ano com este mesmo aspeto."

Com base nestas promessas, foi com naturalidade que Elon Musk conseguiu cativar o interesse dos media e dos fãs por todo o mundo (especialmente com o bailarino contratado para dançar num fato com a mesma aparência que o Tesla Bot...).

Um robô em forma humana tem sido imaginado e reimaginado em vários cenários e histórias, sendo uma presença ativa nas salas de cinema, sendo que a mera promessa do seu desenvolvimento por uma das empresas mais entusiasmantes do mundo foi suficiente para que este se tornasse um tema quente nas redes sociais e nos meios de comunicação social.

No entanto, este robô, que Musk promete ser capaz de ir ao supermercado fazer compras para o dia-a-dia às ordens dos seus donos, pode estar muito longe de se tornar uma realidade.

Sobre os desenvolvimentos da Tesla no que respeita à inteligência artificial e à condução autónoma, já não há muitas dúvidas: esta é uma empresa de referência no setor automóvel, que apesar de muitas vezes chamar a atenção pelas capacidades das baterias e motores elétricos dos seus veículos, acaba por ser também uma referência ao nível da tecnologia implementada, com sistemas que lideram o mercado.

Mas aqui está um ponto que poderá ser fulcral para a este projeto do Tesla Bot. Enquanto que, no caso dos veículos automóveis, há um propósito bem delineado em tornar o veículo capaz de se dirigir apenas com a supervisão do seu condutor, o desenvolvimento de um robô em forma humana capaz de substituir seres humanos nas suas tarefas diárias ou até em trabalhos "perigosos, repetitivos e aborrecidos", pode ser uma tarefa bem mais complexa.

Essa complexidade gera-se por um conjunto de fatores. Se a forma humana parece ideal para nós, seres humanos, com propósitos variados e com um órgão como o cérebro que supera qualquer máquina inteligente até hoje criada, a verdade é que para as tarefas que exigimos de um robô, esta poderá não ser a forma mais prática e útil.

A robótica tem-nos ensinado que a melhor forma de obter um objetivo claro de uma máquina inteligente é desenhá-la de modo a que a sua forma seja a mais apropriada para o efeito. O robô deve assumir a forma da coisa e não a forma do ser que pretende controlar a coisa.

O exemplo que mais tem sido utilizado pelos mais céticos quanto ao Tesla Bot prende-se com os aspiradores inteligentes. Estas máquinas, que tanto tempo nos poupam na limpeza da casa, não têm uma forma humana para segurar um aspirador e procederem à limpeza com os métodos humanos. Estes aspiradores são verdadeiros robôs desenhados para a sua função, com um design pensado para o seu propósito.

E aqui, olhando ao propósito do Tesla Bot, a verdade é que este terá vários objetivos, já que o seu desenvolvimento tem como fim que este robô substitua o seu humano numa panóplia de tarefas. Mas, para tal, deve ter as capacidades necessárias inerentes ao próprio ser humano para as tarefas que visa cumprir.

Enquanto o aspirador inteligente tem como função, precisamente, a limpeza, utilizando os seus pequenos motores e sensores para se guiar dentro de um espaço fechado, o Tesla Bot terá a missão de coordenar os seus membros e tomar milhares de decisões por segundo para agir em substituição daquilo que um ser humano faria.

Pois bem, aqui chegados, cabe aferir o atual estado da robótica em 2021. A empresa que se tem destacado neste setor e que, graças ao Tesla Bot, tem sido utilizada como melhor exemplo, é a Boston Dynamics.

Esta empresa, que trabalha há décadas no desenvolvimento de robôs inteligentes bípedes, tem dado a conhecer ao mundo os seus desenvolvimentos com o Atlas, uma máquina que surpreende pela forma como caminha, salta e ultrapassa obstáculos com naturalidade.

A Boston Dynamics, apesar dos seus feitos com robôs como o Atlas, mantém os pés bem assentes na terra, tendo sempre afirmado que o único propósito deste robô será o de fomentar a pesquisa e investigação na área da robótica, nunca tendo manifestado qualquer propósito comercial.

Apesar dos resultados apresentados com o Atlas, os próprios engenheiros da Boston Dynamics deixam claro que há muitos obstáculos ao desenvolvimento destas máquinas inteligentes e com esta forma, já por isso sendo este projeto meramente destinado a aumentar o conhecimento na área.

Sendo o Atlas uma referência no setor da automação, muitas questões se colocam sobre a capacidade da Tesla em conseguir desenvolvimentos sequer equivalentes a este nível dentro de um ano. Apesar de Elon Musk se mostrar confiante quanto ao possível protótipo em 2022, a verdade é que este é um espaço de tempo bastante curto para um trabalho que, no papel, pretende até superar todos os avanços da robótica até ao dia de hoje.

Os ambiciosos planos da Tesla poderão, no entanto, ser importantes para o setor. Ainda que Elon Musk nos tenha habituado a promessas ambiciosas, muito com o intuito de gerar hype à volta de temas que, consequentemente, ajudam a aumentar o valor das suas empresas, a verdade é que a Tesla tem cumprido com algumas das suas promessas no setor automóvel, quebrando muitas barreiras que, até há bem poucos anos, pareciam não passar, precisamente, de promessas.

Se em 2022 veremos um Tesla Bot conforme descrito por Elon Musk no evento AI Day? Provavelmente não. No entanto, a entrada da Tesla neste "jogo" poderá abrir caminho para o desenvolvimento de protótipos de mais máquinas autónomas e inteligentes que estejam prontas a servir vários tipos de funções e continuarem a facilitar o dia-a-dia do ser humano.

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