Opinião

Um ano com o Note20 Ultra — Continua a valer a pena?

Será que o Galaxy Note20 Ultra vale a pena?

Diogo Simões
2 de Set de 2021
9 minutos de leitura
Tecnologia
Photo by Thai Nguyen / Unsplash

Índice

Com um preço de venda que pouco oscilou nos últimos meses, mesmo com o lançamento dos novos Fold, a gama Galaxy Note20 não parece estar perto de ser descontinuada. Na verdade, muitos são os leakers que comentam como não deveremos esperar baixas de preço por ser a única oferta da gama Note no mercado.

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Agora, e após um ano de compra do meu Note20 Ultra, está na altura de voltar a refletir nele. E, uma vez que a gama Fold está longe de substituir a popular gama que incorpora no seu corpo a famosa S-Pen, chegou o momento de voltar a olhar para este topo de gama e perceber se poderá ser uma boa opção para quem procura um novo smartphone.

Trilhar caminho

Uma vez que já elaborei uma long-term review no passado mês de fevereiro onde esmiucei diversos detalhes técnicos e de design, irei focar-me no que realmente considero importante quando falamos num smartphone com um ano: o software.

Galaxy Note 20 Ultra - Long-Term Review: Muitas arestas por limar
Fica a saber tudo após seis meses de utilização daquele que poderá ser o último Note da Samsung: o Galaxy Note 20 Ultra 5G.

Porquê o foco no software? Uma vez que o hardware não muda, nem a construção retangular e angulosa do dispositivo, não me parece profícuo descrever cada um destes pontos e que detalhei na review do início do ano. Contudo, para não deixar o leitor que pela primeira vez lê sobre este equipamento, vou trilhar caminho e apresentar preto no branco alguns detalhes e especificações do equipamento anunciado em agosto de 2020.

  • Apresentado a 5 de agosto e lançado a 21 do mesmo mês
  • Construído com Gorilla Glass Victus e alumínio
  • Ecrã de 6,9 polegadas Dynamic AMOLED 2X a 120Hz e HDR10+ e densidade de 496 píxeis
  • 120Hz a FHD e 60Hz a QHD
  • Lançado com Android 10, tendo recebido a One UI 3.0 no final do ano passado e a One UI 3.1, em fevereiro
  • Tudo isto corre num processador de 7nm+, o Exynos 990
  • Suporta cartão de memória, tem memória interna desde os 128GB e memória RAM desde os 12GB e utiliza UFS 3.0
  • Sistema de câmara principal tripo com sensor principal de 108MP e com uma abertura de f/1.8, tendo PDAF, laser para ajudar no foco e estabilização de imagem ótico
  • A lente telefoto e periscópica é um sensor de 12MP com abertura de f/3.0. Faz zoom ótico de 5x e híbrido de 50x. Este sensor tem PDAF, estabilização ótica de imagem e laser para ajudar no foco.
  • O último sensor é uma lente ultra grande angular de 12MP e que conta com um campo de visão de 120º e com uma abertura de f/2.2.
  • Na componente de vídeo temos gravação 8K a 24fps, 4K a 30 ou 60fps, 1080p a 30, 60 ou 240fps, 720p a 960fps e ainda modos de HDR10+. Tem estabilização de imagem eletrónica e ótico
  • A câmara frontal é uma grande angular de 10MP e com abertura de f/2.2. Tem Dual Pixel PDAF, HDR e consegue gravar em 4K a 30 ou 60fps ou a 1080p a 30fps.
  • Tem altifalantes stereos, não tem jack, tem suporte a Dolby Atmos e áudio afinado pela AKG.
  • Nas ligações temos Bluetooth 5.0 e USB tipo-C 3.2.
  • Nos sensores temos impressão digital debaixo do ecrã, acelerómetro, giroscópio, sensor de proximidade, compasso e barómetro. Temos o Samsung DeX wireless, ANT+ e suporta UWB.
  • Tudo é alimentado por uma bateria de 4500mAp com carregamento rápido de 25W e USB Power Delivery 3.0. Suporta carregamento "rápido" no wireless a 15W e suporte carregamento wireless reverso a 4,5W (ideal para wearables)-

Chega, também acho. Iremos agora navegar em quatro pilares que considero fundamentais: design a longo prazo, câmara, atualizações e, por último e que permite tudo isto acontecer, a duração da bateria.

Design a longo prazo

Pouco importa se temos o melhor das especificações, software e suporte se o que abriga isto não for confortável. E, após um ano, deixem-me que vos diga como tenho saudades de um smartphone com cantos arredondados. Não interpretem mal: o design do Note20 Ultra é bonito e robusto, mas para uma pessoa com mãos médias ou pequenas, como eu, utilizar por longos períodos torna a experiência desconfortável. Desta forma, ao olhares para este smartphone pela primeira vez, tenta perceber se se adequa por completo ao teu estilo de vida e se se torna confortável dependendo da utilização que dás. As capas que tenho ajudam a ultrapassar este problema e a dar ainda mais robustez ao aparelho, o que também é importante equacionar.  

Algo a realçar neste design é o quanto favorece o ecrã e entrega uma experiência sem igual na hora de consumir entretenimento, quer este seja em forma de vídeos, quer em videojogos.

Câmaras

Comecei por ter uma experiência bastante negativa com este produto. A câmara apresentava glitchs extremamente estranhos e chegou mesmo, no primeiro dia, a tirar uma fotografia com elementos verdes e umas que pareciam negativos. Fazer uma reposição de fábrica ajudou bastante na estabilidade mas ainda havia coisas por melhorar.

As grandes alterações significativas apareceram antes e após a One UI 3 e com algumas atualizações específicas da Samsung e que visaram corrigir a estabilidade da câmara e ainda em adicionar funcionalidades do S21 Ultra a este modelo. Estas melhorias ajudaram? O que estava realmente mal?

Fotografia tirada o ano passado, com o sftware inicial

Para começar, os problemas de foco. O laser ajuda em muitas situações, especialmente em ambientes bem iluminados e com luz natural, mas quando passamos para luz artificiais ou fotografias em ambientes mais escuros (após o final do dia), a câmara apresentava inconsistências. O certo é que, apesar de diversas atualizações, alguns destes momentos conseguiram ser melhorados. Não digo corrigidos porque seria uma mentira, mas a câmara consegue apresentar uma boa capacidade de refocar que é rápida e ajuda a evitar momentos fotográficos desfocados.

Nesta fotografia, tirada este ano, é possível constatar que o software consegue lidar melhor com a iluminação artificial

Algo cuja melhoria foi notória nestes meses foi a ativação do zoom ótico. Enquanto que nos primeiros tempos a câmara parecia teimar em não assumir o sensor de telefoto, a experiência agora é mais fluída e mais certeira. Ainda há espaço para melhorias, mas estas são mais um limar de arestas do que outra coisa. O certo é que o software consegue agora proporcionar boas imagens logo à primeira e, mesmo que estejamos em ambientes cuja luz não é já tão abundante, a estabilização ótica consegue ajudar. Obviamente que em ambientes pouco iluminados, nem o sensor, nem o software fazem magia, em que é mais esperado obter uma imagem granulada que outra coisa.

Algo que ajudou foi a inclusão de uma estabilização por AI, o Zoom Lock, que ativa após passarmos a marca dos 30x e que foi primeiramente introduzido no S21 Ultra.

O modo noite ganhou também melhorias significativas, em especial na capacidade de definirmos a exposição da lente. Infelizmente, e ao contrário do controlo completo e criativo presente num Huawei, o controlo que a Samsung dá é aquele que o sensor e algoritmos consideram adequado. Vou dar-vos um exemplo: ao irmos para o modo de captação noturna, o sistema tem logo ativa a opção de exposição automática. Se carregarmos, podemos ativar a máxima. Infelizmente, em muitos casos, esta ativação resulta em mais 1 ou 2 segundos. Em alguns casos, justifica-se esta limitação. Noutros casos limita a criatividade do utilizador e prejudica também a fotografia, visto que esta escolha entre a definição pré-definida e máxima continua a ser um pau de dois bicos por ser limitada. Talvez por conta do processamento? Talvez o Exynos não consegue lidar com mais do que 10 segundos? Não sei, mas parece-me improvável que um Kirin do meu antigo P20 Pro de 2018 seja mais potente que o Exynos 990, que foi revisto para o Note20, em 2020.

As atualizações

Unboxing is always the best thing!
Photo by Marios Gkortsilas / Unsplash

As atualizações, este serviço pós-compra e que dita o investimento num telemóvel, tem ganho cada vez mais relevância. Na verdade, foi o facto de a Samsung ter anunciado o ano passado dar três grandes atualizações Android e quatro anos de atualizações de segurança que me levou a apostar na compra. Sendo um grande passo, este compromisso torna-se sério na hora de procurarmos a excelência nas atualizações que recebemos. A pensar nisso, e como é pouco habitual termos explicitado o que uma empresa deu a um dispositivo, vou dar-vos este link direto para o site da Samsung e que detalha cada atualização.

Existem funcionalidades não mencionadas nas atualizações, mas que aparecem depois  destacadas na interface, para ajudar o consumidor a descobrir a funcionalidade. O certo é que as atualizações têm surpreendido, em especial por a Samsung oferecer recursos de equipamentos novos a modelos anteriores e de acordo com a sua compatibilidade. Existe também, e como possível de verificar pelo histórico das notificações que, no que toca à câmara, por exemplo, a Samsung melhorou a experiência em 6 atualizações ao longo de um ano. Demonstra não só acompanhamento, como atenção ao investimento do consumidor e à confiança depositada.

Infelizmente a One UI tem ainda pontos por melhorar, nomeadamente em maximizar mais a utilização da bateria — apesar de isto ser importante em qualquer modelo e equipamento —, como nas animações. Porém, o que mais me faz confusão é a interface da Samsung ainda não oferecer a opção de usarmos o novo acordo ortográfico, nem tampouco de termos previsão de emojis no nosso idioma (o que me leva a ter de usar o teclado SwiftKey, aquela que considero a melhor solução do mercado).

Estas funcionalidades aguentam-se com a bateria?

O que mais me motivou a escrever este artigo foi por conta deste ponto da bateria. Tendo adquirido o produto no Algarve e numa época onde as elevadas temperaturas prejudicam a duração da bateria, quis experimentar até que ponto existiram melhorias significativas. E, se o ano passado sentia-me desapontado por pouco menos de 3h de ecrã e com um Exynos que parecia ainda mais propenso a aquecer, este ano tudo mudou.

Apesar de a diferença não ser para um tempo de ecrã correspondente ao triplo, consegui compreender que as diversas atualizações e mecanismos de aprendizagem da bateria levaram a uma maior consistência e gestão de recursos, energia e melhor controlo de temperatura. Em especial com uso recorrente a redes móveis (4G) e uso de Wi-Fi só quando estou em casa.

Pelas imagens conseguem compreender como é bastante fácil chegar a uma média de cinco horas de ecrã, algo afastado das míseras 2h-3h que obtinha o ano passado. Há ainda a ressalvar que não usei nenhuma aplicação da Samsung externa para ajudar na bateria e nenhuma aplicação tem a opção de consumo de dados em segundo plano desativada. Acresce ainda o uso constante de Bluetooh que, mesmo não consuma substancialmente, é responsável por comunicar todos os segundos com o meu Galaxy Watch3 e recolher os seus dados.

Em suma...

Resumidamente, o Note20 Ultra está agora digno do preço pedido pela marca e onde as limitações do Exynos conseguem facilmente ser superadas sem comprometer as funcionalidades do telemóvel, incluindo as atividades em segundo plano.

O compromisso com o pós-venda, por meio de atualizações, dá-me segurnaça no equipamento e na recomendação do mesmo. Afinal de contas, o equipamento que saiu com o Android 10 recebeu o Android 11, irá recreber o Android 12 e terá, como última grande atualização de sistema operativo, o Android 13. Já as atualizações de segurança estáo garantidas até 2024.

Photo by Anh Nhat / Unsplash

Todavia, e pelos valores pedidos, torna-se importante ao utilizdor compreender até que ponto prefere um ecrã grande em corpo anguloso do Note20 Ultra e da sua S-Pen. Afinal de contas, com um preço por vezes inferior, o S21 Ultra resolve por completo todos estes problemas e entrega tudo com uma bateria melhor, câmaras afinadas, um design mais amigo da mão e, mais importante, um processador a 5nm e completamente optimizado.

Note 20 Ultra: Samsung | Fnac | Worten | Media Markt

S21 Ultra: Samsung | Fnac | Worten | Media Markt

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